Uma brasileira em apuros - Parte I

14:28 Postado por Amanda Santoro

Após um longo período de recesso, reapareci com um post muito útil para os pseudo mochileiros de plantão. Recentemente estive no Uruguai e no Chile para curtir com duas amigas dez dias de férias. A viagem foi ótima, e recomendo a todos. Porém, como toda brazuca no exterior, alguns imprevistos - ora engraçados, ora trágicos - fazem parte de qualquer passeio que se preze. E digo mais: sem esses incidentes a viagem não seria a mesma! Adianto também que não darei indicações de pontos turísticos e rotas a serem seguidas... talvez faça isso no futuro, quando estiver acostumada com a idéia de ser chamada de brega pelos meus amigos até o dia do juízo final.

A parte I do meu "guia para cabeças de vento" conterá apenas instruções para aeroportos e para o Uruguai, nossa primeira parada. Como ficamos mais tempo no Chile será necessária uma parte II que sairá em breve. Se liga nessa!

- Nunca perca o papel de embarque
Obviamente isso aconteceu comigo. Já estou acostumada a pensar que atraio certas situações que pessoas normais e menos desligadas nunca serão obrigadas a passar. Pois bem... três segundos antes de entregar o bendito papel para a moçoila do guichê dei-me conta que ele havia desaparecido. Perguntei então:

- O que devo fazer?
- Você terá que voltar ao balcão da Polícia Federal e ver se ficou por lá.
- E se ele não estiver?

Silêncio. A dita cuja não me respondeu, apenas fez aquela cara de "problema seu, minha filha" - com sobrancelhas elevadas, mãos displicentes e olhar distante. Estaria ela querendo dizer que eu não poderia viajar? Quem mais, além dela própria, poderia me responder os questionamentos? Enfim, já conhecemos a boa vontade desse povo... minha sorte foi achar o papel de embarque no meu próprio bolso!

- Espanhol é parecido com português, mas não é igual. Não se deixe enganar!
Logo em nosso primeiro almoço no Uruguai tivemos uma baita surpresa. Pedimos uma "figazza con queso" com a certeza de que chegaria em nossos pratos uma suculenta fogazza brasileira. Gente do céu! Figazza é um prato típico do Uruguai cheio de cebola, pimentão e afins. Eu não tenho restrições com alimentos, portanto foi ok para mim. Já para minhas amigas... Um chiclete extra-ultra-mega refrescante também foi recomendável no restante da tarde.

- Estádio de futebol é legal só em dia ensolarado!
Ir para o Uruguai e não conhecer o Centenário não parece ser algo muito inteligente, não é mesmo? Como ficamos apenas dois dias em Montevidéo, não tivemos muita escolha: fomos ao estádio em uma tarde bastante chuvosa. Para começar, o taxista nos deixou em frente ao portão 4. Tivemos que caminhar de botas, embaixo da chuva e na subida até chegar ao portão 11 (onde vendiam os ingressos). Já com a maquiagem borrada e as roupas encharcadas, chegamos ao local. Não tem nenhuma indicação de que aquilo é uma "boletería" (bilheteria), você tem que seguir seus instintos. Esqueça também aquela moeda tosca, como é que ela se chama mesmo? Ahhh, dólares! Os tiozinhos do Centenário não tem troco, mas se você quiser entrar de graça é bom apresentar umas notas do Tio Sam. Sem troco, os boleteiros deixam você entrar "de grátis". Lembrem-se também que depois do passeio vocês devem voltar... e a chuva continuará caindo sobre suas cabeças.

- A cidade é despovoada, mas os gatos pingados que moram lá são bonitos. Aproveite!
Se você é livre, leve e solto no mundo, tá aí uma chance de paquerar um pessoal pra lá de bonito. Montevidéo só tem 1 milhão de habitantes - e o Uruguai inteiro só tem 3 milhões - portanto se você é de São Paulo (como eu) a impressão de cidade despovoada, de interiorzão, é quase inevitável. Isso se potenciliza num domingão a noite, mas tenha fé! Sempre existem uns restaurantes e bares da "resistência" e os garçons dos lugares sempre valem o esforço. Pessoal gatinho, viu! Nada das roupas e cabelos emos da Argentina, nada das caras de "Consuelo" do Chile... Taxistas e funcionários do câmbio também devem ser apreciados com moderação.

- Nunca precise utilizar táxis em dias de chuva. NUNCA!
Meu Deus! Os táxis simplesmente ficam lotados e não surge um sequer que possa te pegar. Precisávamos ir para aeroporto, com o horário estourando para irmos para o Chile, e os táxis estavam todos indisponíveis. Saímos no meio da rua, embaixo da chuva novamente, para tentar achar um... Nada. Cinco, dez, quinze minutos... Nada! Cada uma de nós foi para uma esquina, e começamos a fazer aqueles sinais com o polegar para que os tios taxistas parassem... Nada! No final das contas deu tudo certo, mas agora vejo que nessa atitude desesperada por transporte talvez tenham nos confundido com profissionais do sexo...

Bom, é isso. Ficamos apenas dois dias e meio no Uruguai então não há muito o que "recomendar". Apesar dos apuros, o passeio é super válido... só não pense que encontrará lá uma São Paulo que fala espanhol, ok?

Vicky Cristina Barcelona e a celebração do amor

19:42 Postado por Amanda Santoro


Dois nomes e um lugar bastante badalado. A junção nada usual de três substantivos – sem vírgulas, hífens ou algo do tipo. Um título estranho, de um estranhamento que causa curiosidade. De uma curiosidade que, sem querer, ganha força e legitimidade. Tudo junto, com um monte de descrições cansativas, ou apenas a síntese em uma palavra: originalidade. É assim que defino Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen.

Talvez – e falo isso com 90% de certeza – esse seja o longa-metragem do diretor com maior impacto desde Match Point, lançado em 2005. O filme, como o próprio nome resume, conta a história das amigas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), que resolvem passar a temporada de verão em Barcelona, na Espanha. Lá, elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor charmoso que não esconde a libido que sente por ambas. Mais para frente, ele ainda revela uma ligação pouco convencional com a ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz), um relacionamento baseado no amor sublime que causa destruição. Parece controverso, mas não é.

De uma forma natural e gostosa, o filme fala essencialmente sobre os relacionamentos amorosos. Sobre os diferentes pontos de vista a respeito do amor. Fala sobre o embate antagônico entre a razão pé-no-chão, expressa com louvor por Vicky, e a emoção sem tabus, desenvolvida pela personagem de Johansson. Fala implicitamente sobre a liberdade. Woody Allen deixa os espectadores encararem como quiserem o amor e as suas conseqüências. Deixa se afeiçoarem mais a uma ou outra personagem. Deixa criarem em suas mentes uma Vicky-Cristina própria.

Interessante também notar a busca incessante pela arte, desenhada com sutileza pelo diretor. A modernidade tem dessas coisas. Temos que expressar tudo o que sentimos, temos que ser artistas – mesmo que não tenhamos habilidades para tal. Cristina ama a arte, e mais: vangloria-se pela busca de sua essência artística, mesmo numa seqüência de fiasco após fiasco. É esse esforço sobre-humano que muitas vezes obscurece os seus reais pontos fortes, como a fotografia. Por sorte, uma habilidade intrinsecamente artística.

Outro ponto abordado, agora sobre a visão de Vicky, refere-se à definição do “ideal” e o que ele representa à sociedade. Ela tem o noivado ideal, a vida ideal, a sensatez ideal. Mas será que o “ideal” basta? Não para Vicky, mesmo que ela lute contra isso. Na verdade, Woody critica e vangloria os arqui-rivais razão e emoção, e isso fica bem claro na película. É uma balança bem equilibrada do começo ao fim. No final das contas, apesar de se julgarem totalmente opostas, as amigas convergem pouco a pouco a um mesmo lugar.

O ponto alto de Vicky Cristina Barcelona é a interpretação de Penélope Cruz. Maria Elena representa a arte pura e crua, a vida pela arte. É um gênio que, como muitos outros, têm problemas de interação com o mundo real. Vale a pena ver o filme só para conferir a sua atuação. Continuo a achar Scarlett um pouco apagada, ainda mais quando posta à prova. Ao lado de Rebecca, Penélope e Javier, é impossível não se decepcionar com a sua performance. E não podemos esquecer de dar uma estatueta dourada para o roteiro do filme, que realmente espanta pela originalidade e simplicidade.

Driving

17:18 Postado por Amanda Santoro

Muita coisa aconteceu desde a minha última postagem. A Amy Winehouse completou 25 anos (embora pouca gente acreditasse nessa remota possibilidade), Britney Spears deu a volta por cima e faturou três VMAs, o casal "não-me-toque" Sandy e Lucas Lima finalmente casou, o Palmeiras embalou e está na cola do Grêmio, o dólar subiu, o Kassab passou o Alckmin na corrida à prefeitura... enfim, o mundo continuou a todo vapor, como não poderia deixar de ser.

Pergunta: o que postar após tanto tempo? Não consigo mais manter uma cronologia, tampouco um vínculo com os assuntos passados. Também não me sinto à vontade para falar sobre o futuro (mesmo porque estou longe de ser mamãe Dinah). O que resta mesmo é o presente.

Resolvi então contar para vocês um assunto que me persegue... a carro! Quem nunca achou que havia perdido o celular, hein? Pois então... lá estou eu, desesperada, atrás desse aparelhinho vital quando o manobrista de meu estacionamento sugere:

- Passa seu número, eu ligo e você vê se toca...
- Ok, boa idéia.

TRIM, TRIM... Escuto um som sair do porta-luvas. Ufa! Eu não perdi o celular, graças a Deus! Algum tempo depois, não muito, dei-me conta que seria melhor tê-lo perdido. O meu adorado amigo manobista não titubeou e aproveitou-se da situação. Com meu número em mãos, o rapaz passou a fazer ligações diárias... não menos que cinco vezes em horários díspares.

8 horas da manhã...

- Bom dia linda!

10 horas...

- Está trabalhando?

14 horas...

- Já foi almoçar?

19 horas...

- Ainda está no serviço? Puxa vida!

22 horas...

- Só liguei para mandar um beijinho de boa noite!

Sei o que todos pensaram: é a Amanda Santoro, a miss simpatia. Não se enganem! O rapaz conseguiu convencer-me de abdicar ao trono. Não há mais espaço (nem paciência) para risinhos e papos amenos. Eu ignoro as ligações, mas quem disse que ele se importa? O moço é ardiloso e tem suas táticas. Às vezes ele liga do "privado", às vezes de números desconhecidos, e ainda tem a costumeira insistência. Quem aguenta escutar o celular tocar, tocar, tocar e não atender?

Agora vai a última! O manobrista, como carinhosamente o povo do meu trabalho o intitulou, esqueceu o celular dele em meu carro! Pode? Ainda terei que entregá-lo pessoalmente amanhã, mostrar que sou boa moça e não afano as coisas dos outros. Sinceramente, não quero mais motivos para ele ficar agradecido a mim. Pelo menos hoje à noite o meu celular pode descansar em paz...

Um click...

20:58 Postado por Amanda Santoro

Sempre achei meio bizonha a relação homem/máquina fotográfica. Uns querem mostrar "o seu melhor ângulo", outros procuram enquadramentos modernos e exóticos, e tem aqueles que - mais palhaços que os demais - simplesmente se recusam a aparecer nas fotos. O fato é que, ridículas ou não, as pessoas se acostumaram com o equipamento (hoje, quase vital).

- Mariazinha, você poderia pegar a minha chave na sua bolsa?
- Mas é claro, Joãozinho. Deixa eu procurar... segura pra mim esse batom, esse espelhinho e essa máquina fotográfica. A chave deve estar por aqui...

MÁQUINA FOTOGRÁFICA? Desde quando esse objeto retangular tornou-se elemento básico nas bolsas femininas e bolsos de calça masculinos? Não vou negar, já fui partidária dessa onda. Eu andava com uma máquina digital para todo lado, mas um filho da *pi*...oops... mas um filho de Deus estourou o vidro do meu carro e levou tudo. Depois do susto, resolvi parar de ser besta.

"Ok, Amanda. Você até tem 0,3% de razão, mas pra que toda essa revolta?". Pois eu digo... estava eu no Cinemark quando uma fulana sacou sua esplêndida máquina digital. Click uma vez, click duas vezes, click três vezes... e aquele flash agradabilíssimo na sala.

Pegunto: Alguém é tão brega para achar que o cine-pipoca-Cinemark merece recordações futuras? Que voltem os trambolhos de antigamente... seu Madruga que o diga!

We're the world... en Espanõl

18:29 Postado por Amanda Santoro

Falar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia sempre gera boas discussões. Existem aqueles que ainda acreditam na sua inspiração marxista-leninista, enquanto outros abominam o grupo de cabo a rabo. Não vou entrar no mérito da questão, esse assunto cansa demais. Estou aqui, numa segunda-feira bem cinzenta, e me deparo com a seguinte manchete: "Alejandro Sanz, Shakira e outros artistas pedem a liberdade dos reféns das Farc".

Agora sim! Era isso que estava faltando... Atrevo-me a dizer que foi por causa dos popstars que Ingrid Betancourt foi solta / resgatada / comprada... (cada um escolhe a teoria conspiratória que mais agradar). "Continuaremos lutando até ver todos vocês livres", disse o grupo formado por dez artistas pacifistas da América Latina. Se eu fosse refém, agora sim estaria tranqüila...